Durante muitos anos, acompanhei meus alunos vivendo experiências internacionais. Alguns viajavam a trabalho, outros realizavam o sonho do intercâmbio, outros ainda precisavam usar o inglês em situações importantes da carreira. Desta vez, porém, fui eu quem embarcou. Viajei para a Itália para estudar italiano e viver, por algumas semanas, algo que eu já não experimentava havia muito tempo: ocupar apenas o lugar de aluna. Sem perceber, essa experiência acabaria me ensinando muito mais do que um novo idioma. 

Nos primeiros dias, eu ainda estava vivendo a Itália como turista. Caminhei por Florença, visitei museus, conheci Pisa e Cinque Terre. Foi apenas na manhã do primeiro dia de aula que a viagem realmente começou. Quando entrei na sala, me vi fazendo as mesmas perguntas que escuto, com frequência, dos meus próprios alunos antes de uma primeira aula: "Quem são essas pessoas? Será que o nível delas é mais alto que o meu? Como vou me comunicar?". Naquele momento, deixei de ser professora. Eu era apenas mais uma aluna, cercada por pessoas de diferentes países e com a mesma vontade de aprender.

Ao longo da semana, uma coisa passou a me chamar muito a atenção. A professora conduzia as aulas de forma leve e acolhedora. Sempre que alguém não encontrava a palavra certa ou tinha dificuldade para explicar uma ideia, ela ajudava sem constrangimento, como se dissesse, o tempo todo, que errar fazia parte do caminho. Também comecei a observar meus colegas, vindos de diferentes países. Mesmo quando cometiam erros, eles continuavam falando com naturalidade. Não havia vergonha, nem o medo de parecer imperfeito. O erro era tratado apenas como mais uma etapa da aprendizagem.


Foi impossível não comparar essa vivência com a realidade que encontro todos os dias em sala de aula. Muitos adultos chegam às aulas de inglês carregando um peso muito maior do que a dificuldade com o idioma: o medo de errar, de serem julgados ou de parecerem menos capazes por ainda estarem aprendendo. Na minha turma, formada por pessoas de diferentes nacionalidades, tive a impressão de que essa relação com o erro era diferente. Havia timidez em alguns momentos, mas não vergonha. Aquela experiência reforçou em mim a importância de criar um ambiente em que o aluno se sinta seguro para falar antes mesmo de falar bem.


Eu viajei para a Itália para aprender italiano. Voltei com novas palavras, novas experiências e memórias que vou guardar por muitos anos. Mas a principal bagagem que trouxe foi outra: a certeza de que aprender um idioma vai muito além de memorizar regras ou ampliar o vocabulário. Quando um aluno encontra um ambiente em que pode errar sem medo, fazer perguntas sem constrangimento e se sentir acolhido durante o processo, aprender deixa de ser uma prova de desempenho e passa a ser uma experiência de descoberta. Como professora, essa foi, sem dúvida, a lição mais valiosa que trouxe comigo. 

Voltando a Ser Aluna:

Durante muitos anos, acompanhei meus alunos vivendo experiências internacionais. Alguns viajavam a trabalho, outros realizavam o sonho do intercâmbio, outros ainda precisavam usar o inglês em situações importantes da carreira. Desta vez, porém, fui eu quem embarcou. Viajei para a Itália para estudar italiano e viver, por algumas semanas, algo que eu já não experimentava havia muito tempo: ocupar apenas o lugar de aluna. Sem perceber, essa experiência acabaria me ensinando muito mais do que um novo idioma. 

Nos primeiros dias, eu ainda estava vivendo a Itália como turista. Caminhei por Florença, visitei museus, conheci Pisa e Cinque Terre. Foi apenas na manhã do primeiro dia de aula que a viagem realmente começou. Quando entrei na sala, me vi fazendo as mesmas perguntas que escuto, com frequência, dos meus próprios alunos antes de uma primeira aula: "Quem são essas pessoas? Será que o nível delas é mais alto que o meu? Como vou me comunicar?". Naquele momento, deixei de ser professora. Eu era apenas mais uma aluna, cercada por pessoas de diferentes países e com a mesma vontade de aprender.

Ao longo da semana, uma coisa passou a me chamar muito a atenção. A professora conduzia as aulas de forma leve e acolhedora. Sempre que alguém não encontrava a palavra certa ou tinha dificuldade para explicar uma ideia, ela ajudava sem constrangimento, como se dissesse, o tempo todo, que errar fazia parte do caminho. Também comecei a observar meus colegas, vindos de diferentes países. Mesmo quando cometiam erros, eles continuavam falando com naturalidade. Não havia vergonha, nem o medo de parecer imperfeito. O erro era tratado apenas como mais uma etapa da aprendizagem.


Foi impossível não comparar essa vivência com a realidade que encontro todos os dias em sala de aula. Muitos adultos chegam às aulas de inglês carregando um peso muito maior do que a dificuldade com o idioma: o medo de errar, de serem julgados ou de parecerem menos capazes por ainda estarem aprendendo. Na minha turma, formada por pessoas de diferentes nacionalidades, tive a impressão de que essa relação com o erro era diferente. Havia timidez em alguns momentos, mas não vergonha. Aquela experiência reforçou em mim a importância de criar um ambiente em que o aluno se sinta seguro para falar antes mesmo de falar bem.


Eu viajei para a Itália para aprender italiano. Voltei com novas palavras, novas experiências e memórias que vou guardar por muitos anos. Mas a principal bagagem que trouxe foi outra: a certeza de que aprender um idioma vai muito além de memorizar regras ou ampliar o vocabulário. Quando um aluno encontra um ambiente em que pode errar sem medo, fazer perguntas sem constrangimento e se sentir acolhido durante o processo, aprender deixa de ser uma prova de desempenho e passa a ser uma experiência de descoberta. Como professora, essa foi, sem dúvida, a lição mais valiosa que trouxe comigo. 

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